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A minha experiência no Paredes de Coura

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Muito se tem falado do Paredes de Coura de ano para ano.
A primeira vez que ouvi falar nesse festival foi sempre com um estigma de "festival antigo" ou com tradição, soa melhor. Alternativo também. E não fosse ele ficar situado numa terra que eu não fazia ideia de onde ficava.



Tenho inclusive uma tia minha que, quando nova, ia a todos os festivais de verão que valiam a pena na altura. Super Bock Super Rock, Paredes de Coura e Vilar de Mouros. Um ano foi ao Paredes de Coura. Não se lembra de nenhuma banda conhecida que tenha visto, mas é bem provável que se hoje ler os nomes que foram, irá reconhecer alguns. Ah, e apareceu na capa de uma revista do Expresso, a tomar banho no rio Coura. A minha avó não acho muita piada a isso. Muitos anos depois foi a minha vez. De tomar banho no rio. E, não tendo o previlégio de um jornal como o Expresso, falei para a CMTV (cunha de uma amiga minha). Ainda hoje tenho o video e a página do jornal.

Fui ao Paredes de Coura apenas 2 anos, 2014 e …

Sentimento em bolha

O ódio saiu à rua
De braços abertos e gritos ao alto
Desencaminhando as gentes
Orientando sobressaltos

Dando mão aos angustiados
Apoio aos desconsolados
Voz aos calados que viam
Força ao que calavam

E deixou dor e tristeza
Palavras em campos desertos
Onde a ilusão era de paz
E a primavera dos despertos
Em ignorar o que ele fazia sentir
Os pensava fazer ver
E dizia por vezes ouvir

Despertos de olhos fechados
A este manifesto contagiante
De vida que se solta
Das entranhas mais cruéis
Do profundo ser revoltado
Que se alimenta da fome do homem
Que pela vida fica amaldiçoado

Que vivem a desprezar a origem e o sentido
Mesmo que ele exista
Pois não há razão para ser consumido
Por um fogo de vista

Pois não somos mais
Do que uma bola de sabão
Encaminhada num espaço sem dó
Por rajadas do tempo sem fim

Que com medo de arrebentar
Por atingir o chão
Se tenta explodir por si só
Com coordenadas para o fim

MCardoso
(texto original)

Hoje olhei

Hoje olhei para o meu pai.
Normalmente costuma estar na sala comigo e o convívio resume-se aos comentários soltos no ar. Do que passa na tv. De como tem corrido o trabalho. De como têm corrido os exames e consultas.
Mas hoje olhei-o.
Estava a mastigar uma garfada do meu jantar e os meus olhos encontraram-no ao meu lado. Não sei explicar porquê, mas o que vi não foi o mesmo que costuma acontecer quando os meus olhos o encontram. Estava apenas a olhar para a televisão. Tinha comentado algo sobre os tempos de faculdade, de um episódio menos positivo pelo qual tinha passado. Penso que a lembrança dos tempos de dificuldades e batalha ajudaram ao filtro com que o olhei.

Olhei.
E vi um homem. Mais que isso, vi o meu pai. Não estava a ser o meu pai apenas naquele momento, ele é o meu pai desde que eu nasci.

Os nosso caminhos têm andado em paralelo mas não coincidentes. Chocamos muitas vezes nas nossas teimosias e filosofias distintas. Ele não usa a lógica e o bom senso da mesma forma que eu a…

Porra para isto de estar doente

No sofá sentado
A televisão ver
Porra que estou adoentado
E não sei o que fazer

Nem a porra da televisão ligou ainda
A gaja adoeceu também
Não apanha sinal
Não há tv para ninguém

Que raio de ranho
Que mal que eu fiz
Agora que não consigo
Respirar pelo nariz?

Vai tocando uma música no pc
Do filme "Assim nasce uma estrela"
Que no outro dia fui ver, sem gripe
Pois ainda estava sem ela

Aproveito para marcar
A mudança de operadora.
Estamos fartos de pagar tanto
A ti, MEO, sua devoradora.

Cheguei a casa cansado
Hoje foi dia de pegar às 6 da manhã.
Parece-me que vou é estar na cama
Todo o dia de amanhã.

Conduzi no escuro
Cheguei ao trabalho
Estacionei o carro
Longe como o diabo

Dei formação
Comi lanches de oferta
O que me lixou mesmo
Foi a porra da porta aberta

Corrente de ar
Como eu te odeio
Deixas-me neste estado
Sem modo nem meio

Agora olha,
O feriado calhará bem,
Estarei de cama
Não me chateará ninguém.

A ver se isto passa
A ver se me safo
E assim termino
Este meu desabafo

E se doar um orgão quando morrer?

Como qualquer ser humano comum, sempre tive um grande receio sobre a morte, e o que vem depois dela. Durante anos e anos acreditei que se me portasse de acordo com o que é considerado "bem", iria para o céu. Também que poderia voltar numa reencarnação. Hoje em dia tenho pensamentos mais terra a terra, mais carne e osso, e acredito que somos todos iguais e que a vida é isto e depois... acabou. Guardo sempre alguma esperança de que esteja enganado, mas penso que é isso que mais me faz temer a morte: a esperança de poder voltar. Ou melhor, a possibilidade de estar enganado quanto à reencarnação ou a ida para o céu. Se a vida for isto, uma viagem apenas de ida, não vejo porque temer a morte. Nunca ninguém se queixou de ter morrido na verdade. Aproveitem a vida.

Passando agora para o assunto do título: e se doar um orgão quando morrer? E se doar o corpo à ciência? Desculpem o assunto macabro, mas é um assunto que considero interessante.

Há uns anos atrás se me perguntassem isso t…

A polémica dos beijinhos aos avós

Aquando do programa "Prós e Contras" desta semana, no qual um professor universitário defensor do poliamor (não sei que diferença isso faz honestamente, mas nas redes sociais várias pessoas tendem em insistir) falou que obrigar as crianças a dar um beijinho aos avós era um ato de violência, violência física. E sinceramente, um pouco como sobre tudo o que vou vendo nas polémicas recentes, acho que anda tudo a exagerar. Um over-react geral.

Antes de mais, esclarecer uma coisa: qualquer ato de obrigação de alguém a fazer algo contra a sua vontade é um ato de violência. Quanto a isso não há dúvidas.

Acho que este é mais um daqueles casos em que a imprensa viu uma ponta por onde pegar e não perdoou. Nada contra, é assim que as coisas funcionam. Mas o que o homem queria expor foi conseguido. Não da melhor maneira, mas foi. Longe de ser a melhor maneira. Contudo pegou num caso pelo qual todos nós já passámos.

Venha quem vier, quando somos miúdos não sabemos bem ainda o que queremos…

Desabafo sobre fim de estágio

Acabei ontem o meu estágio profissional. Despedi-me daqueles que achei serem merecedoras de uma despedida decente, daqueles que me ajudaram e me acompanharam ao longo destes 9 meses. Desde superiores até operadores de linha (estagiei numa fábrica). Apanhei muita gente de surpresa. Acho que já não me olhavam como um estagiário desde há algum tempo, ou pelo menos como alguém insatisfeito e a querer sair. 
Entrei como um miúdo. 9 meses não são um período assim tão longo como isso, mas sinto que saí muito mais homem, muito mais calejado para o futuro.  Já lá tinha estado 4 meses a escrever a minha tese. A minha superior era temida por muitos lá dentro. Metia medo nas pessoas, autoridade onde passava. Sabia lá alguém que passados 2 meses de estágio eu a estaria a substituir quando esta foi para casa com uma gravidez de risco. O que é irónico, pois uma vez disse que "gravidez não é doença" a uma senhora que tinha faltado ou que ia para a baixa mais cedo. A vida prega partidas curi…